Amy Winehouse era uma artista autêntica! Ela não se preparou numa academia ou algo do gênero — ela já nasceu com o dom. O documentário AMY mostra a carreira da cantora britânica que, pra mim, é uma das maiores de todos os tempos. Com influências de Billie Holiday, Sarah Vaughan e Tony Bennett, a cantora nos brinda com um som diferente, com pitadas de jazz sofisticado.
No documentário, podemos ver a garota simples do primeiro disco, FRANK (2003), à superpremiada celebridade com milhões de cópias vendidas pelo mundo com BACK TO BLACK (2006).
Até que ponto Amy conseguia lidar com o estrelato e o assédio dos paparazzi que a perseguiam constantemente? Não, Amy não esperava, não estava preparada e nem queria toda essa repercussão em torno não só da sua obra, mas da sua vida. Os paparazzi fizeram o mundo acompanhar Amy definhando como artista e como pessoa. E até que ponto isso foi mais prejudicial à vida dela? É algo surreal!
O refúgio de Amy foram as drogas. O álcool, um inseparável companheiro. Seu pai, Mitchell Winehouse, e seu marido, Blake Fielder-Civil, não serviram de ajuda para Amy. O marido a fez conhecer drogas mais pesadas, como a heroína, e é considerado um dos pivôs de suas crises. O pai era mais preocupado com os “compromissos profissionais” de Amy, chegando a não apoiá-la quando ela estava praticamente decidida a se internar para se recuperar das drogas.
Amy tinha problemas emocionais, que ela mesma confessava e sobre os quais compunha para se ajudar. Um fato desconhecido, pelo menos para mim, é que ela também sofria de bulimia — um problema que afeta milhares de mulheres pelo mundo. Ao que parece, no documentário, ela nunca procurou ajuda.
Não sei se Amy fez uma escolha. Acredito que ela queria compor, cantar, estar com a família, os amigos, e poder andar para onde quisesse. Ela confessa a falta dessa liberdade no documentário — coisas que qualquer pessoa pode fazer. Amy fez muito pela música. Sua obra, pequena em quantidade (foram somente dois álbuns de carreira e um póstumo), é grande em proporções imensuráveis, de uma qualidade tremendamente absurda. Artista completa!
Aqui, o clipe de “Body and Soul”, música que ela gravou com seu ídolo Tony Bennett para o álbum de duetos dele. Estupendo!
Valeu, Amy! Vejam o documentário!
Autor: Tulio Rodrigues
Imagem: Reprodução/Netflix