Eu, Guerrero, minha filha e meus amigos

Guerrero foi apresentado no Flamengo no dia 7 de julho de 2015. A data é marcante pra mim como torcedor do Flamengo e como pai. Nesse dia, tive uma das notícias que mudou a minha vida completamente.

Saí do trabalho e fui para a Gávea fazer a cobertura da apresentação do atacante. Parecia um dia normal. Como torcedor do Flamengo, havia a expectativa por dias melhores. Guerrero era a maior contratação de impacto em anos, e o nosso momento ali não era bom.

Encontrei os amigos que fiz ao longo dos anos falando de Flamengo e que estavam cobrindo a apresentação também. Guerrero foi pontual. Chegou, vestiu o Manto Sagrado, disse que somos a maior torcida do mundo. Tudo perfeito. Ele estrearia no dia seguinte, marcando gol contra o Inter-RS e já acabando com um tabu de 13 anos sem vencer no Rio Grande do Sul. Sensacional!

Ainda no dia 07, após a apresentação e toda a euforia, eu e meus amigos Nivinha e Patrick fomos beber um café. Bom, lembro do que pedi: o meu habitual capuccino e um pão focaccia — o pão que fez o Patrick passar mal depois de comer. Sentado ali, recebi pelo WhatsApp a notícia: positivo! Recebi a foto da ultra. Maria, que não sabíamos se era João, era um pedacinho de qualquer coisa, um embrião pequenininho. Não consigo descrever o que senti naquele momento. Eu sei que senti um amor que nunca tinha sentido — um amor que sinto muito mais hoje, todos os dias, toda hora… Ah, se fosse homem, não se chamaria João, se chamaria Arthur. Usei João pra exemplificar que não sabia o sexo. Risos.

Mostrei para Nivinha e para Patrick. Foram os primeiros a saber da chegada de Maria. Eu precisava falar com alguém sobre aquela notícia. E que notícia! A partir dali, passei a viver em função daquele embrião. Mas as notícias não foram boas dias depois: fui demitido! Insegurança, medo e mais um monte de coisas! Guerrero no Flamengo passou por um bocado também. Foram somente quatro gols em 2015.

2016 era o ano. Maria Elis nasceu no dia 17 de fevereiro, por volta das 18 horas, numa quarta-feira. O Flamengo jogou no mesmo dia contra o América-MG e venceu por 1×0. Gol de Everton. Quatro dias depois, Fla x Flu. Vencemos por 2×1 e Guerrero fez gol. Claro que Maria estava devidamente de Flamengo, mesmo sem entender nada e tendo dormido o tempo inteiro.

Tivemos vários momentos juntos assistindo ao Flamengo, ainda não no estádio. Sempre que possível, ela está com o Manto Sagrado. Comprei vestidos e camisas logo que descobrimos o sexo. Lembro de Atlético-MG 2×2 Flamengo, pelo Campeonato Brasileiro do ano passado, em outubro. O Flamengo abriu o placar com Diego, o Atlético-MG virou e, no final do jogo, Guerrero empatou. Comemorei com Maria no meu colo. Ela até se assustou um pouco, mas entrou na brincadeira, pois, já com seus 9 meses, tudo é festa pra pequena.

Maria está com um ano e quatro meses. Guerrero completou dois anos de Flamengo, e seus gols aumentam. Maria já fala diversas palavras, já corre, tem vontades e sabe o que é Mengo. Ensino desde sempre! Espero, um dia, ainda vê-la entrar em campo com Guerrero — e que, nesse dia, possamos ver um gol dele juntos no estádio. Torço muito por ele! Grande atacante! Parabéns, Guerrero! Vestir essa camisa é difícil, conquistar a Nação é mais difícil ainda, e você vem, aos poucos, conseguindo. Eu e Maria estamos torcendo por você!

Autor: Tulio Rodrigues

 

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