A dor do filho meu eu sinto agora,
ao relembrar a dor do meu rebento.
O mundo assim disperso e nunca atento
faz-me sentir a mesma dor de outrora.
Ramo de flor, tu foste só o invento
com que minha inocência foi embora,
desejando até tudo morto a fora
porque vivo só resta se for vento.
Não dei pai nem família a este filho,
que pelo mundo está, talvez, perdido
sem Deus, sem rumo, a caminhar sem trilho…
Filho meu, neste mundo retardado.
Filho meu, por mim nunca protegido.
Filho meu, tão querido e tão bastardo!
Autor: Tulio Rodrigues
Publicado nos livros: Ensaio Poético: E-book e Físico e Fragmentos Poéticos: E-book
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