Teu corpo, minha pátria

Longe de ti, estou exilado de minha metade!
Teu corpo é como a minha pátria!

A minha pátria de mares, cachoeiras, pássaros…
A minha pátria, o meu repouso, o meu abrigo…

Pátria minha tão distante, tão longe…
Sigo em outro pouso, em outra terra…

E sinto falta do cheiro do teu pescoço nu,
dos teus seios firmes como duas catedrais,

dos movimentos tântricos de tua dança
e da tua pele macia e pura como algodão!

Chorei duas mil vezes a tua ausência
e mutilado, me enfureci como uma tempestade!

Entre nós um imenso oceano de distância
e uma imensa diferença de intenções!

A minha pátria segue em completa confusão
de ideias, ideais e de tantos pensamentos!

Não posso retornar à minha pátria,
não posso retornar ao teu corpo!

Tanto a me impedir o cheiro fresco de teu hálito,
o clima do outono invernal de minha pátria!

Fui perseguido por tentar insistir tanto
e o meu retorno se tornou impossível!

Me restou somente lamentar sozinho,
morrer aos poucos em breves atos de adeus,

ver o brilho da lua e das estrelas todos os dias
e me convencer que não há brilho,
que brilhe como os olhos teus.

Autor: Tulio Rodrigues
Publicado nos livros: 20 Sonetos de Amor & Outras Poesias: Versão e-book I Versão Física  e Fragmentos Poéticos: Versão e-book

Imagem: Por innamykytas via Pixabay

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