Maria Bethânia 70 anos

Não me lembro de quando conheci Maria Bethânia! Acho que quando a vi já conhecia sua figura, sua música, sua voz, sua importância! Tenho certeza que todo mundo já nasce sabendo Bethânia!

Bethânia é para mim uma das maiores cantoras do mundo! Aliás, intérprete! Bethânia faz com que cada música pareça que tenha sido feita pra ela tamanho encaixe da sua voz com letra e melodia! No palco, ela atua! Seus shows são divididos em atos, um verdadeiro espetáculo!

Bethânia tem particularidades que chamam atenção. A primeira delas é a sua relação com a poesia! Não há um show em que ela não coloque no repertória e introduz entre as músicas poesias de Fernando Pessoa, Castro Alves, Guimarães Rosa, Vinicius de Moraes… Aliás, para o último, em um disco de 2005, o “Que Falta Você Me Faz”, Bethânia fez um disco monumental com as músicas do amigo que naquele ano completaria 80 anos e também seria naquele ano, completos 40 anos de amizade com Vinicius. Ponto alto do disco para mim é a sua declamação de “Monólogo de Orfeu” da peça “Orfeu da Conceição” de Vinicius após interpretar “Lamento no Morro”.

Bethânia assim como coloca a poesia que ela adora em sua obra, também leva em sua obra elementos de sua religião, dos seus orixás. Em 2006 ela fez um disco duplo em homenagem ao que ela denomina de “Povo D’água”: “Pirata e Mar de Sophia” trazem homenagens sublimes aos orixás. Destaco sua interpretação para “Canto de Oxum”

Não falei aqui dos seus grandes sucessos ao longo dos seus 50 anos de carreira, mas um pouco desse meio século de sua arte! Obrigado Bethânia por sua voz me fazer companhia em muitas noites e dias de minha vida e a de tantos outros brasileiros! Que todos possam descobrir Maria Bethânia! Aos apaixonados pelo cancioneiro popular, pela poesia e pelos orixás! Maria Bethânia é completa!

Feliz Aniversário, diva! Trilha sonora da minha vida e da minha alma!

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#Chico70Anos – Evoé, meu grande artista

Quem me conhece sabe como sou apaixonado pela obra de Chico Buarque. Isso se deu por influência de minha mãe. A minha vida mudou ao por para tocar o Cd “Minha história” que contém as melhores músicas de Chico. A partir daquele momento, me aprofundei na vasta obra musical multifacetada do artista.

Hoje tem um acervo bastante rico da obra musical de Chico. Tenho a discografia completa, livros, todos os DVDs e documentários. Através de Chico, pude adentrar o universo de outros grandes artistas. Em 2012 pude ver de perto a gravação do seu último DVD (Meu “encontro” com Chico Buarque), o “Na Carreira”, oriundo do show de seu último disco.

Chico é também dramaturgo de enorme talento. É obrigatória a leitura de sua obra teatral como Calabar, Roda Viva, O grande circo místico… Seus romances também são uma grande pedida com Benjamin, Leite derramado…

Para mim, toda a obra de Chico Buarque é inspiradora. Tenho alguns poemas e sonetos inspirados em suas músicas e personagens. Um dos poemas que fiz tendo uma canção de Chico como inspiração foi o poema “Na casa da Pedreira” em que uso a sua canção “Sinhá”, em parceria com João Bosco, do seu último disco de inéditas, “Chico”, lançado em 2011. No poema faço uma interação com a música de Chico e os versos do meu poema. Outro poema que uso da música de Chico é o “Cale-se”. Nesse poema, uso a melodia da música “Cálice”, de Chico e Gilberto Gil para homenagear Vladimir Herzog, assassinado covardemente por militares nos tempos idos da ditadura. Há ainda sonetos que fiz, mas ainda não publiquei.

Nesses 70 anos de Chico Buarque, completados dia 19 de junho, vem junto de diversas homenagens ao artista pela marca importante. Uma das homenagens mais bacanas é feito por um fã que numa página intitulada “Chico 70 Anos”, relembra de forma detalhada 70 canções mais marcantes da carreira de Chico. Recomendo não só a visita, mas a permanência na página para saborear diversas curiosidades. Hoje foi até publicado um belíssimo texto: http://chico70anos.tumblr.com/post/89264449203/70

A grande mídia também preparar homenagens na TV. Hoje a Globo News apresenta o programa “Arquivo N”: Chico Buarque completa 70 anos; Arquivo N relembra trajetória do artista.

O jornal “O Globo” traz em seu site um grande acervo com muita coisa sobre a vida e obra de Chico Buarque: Chico Buarque completa 70 anos.

O jornal “Zero Hora” nos brinda com diversas atividades, discos, DVDs, documentários e programas que serão lançados em homenagem aos 70 anos de Chico: Chico Buarque completa 70 anos e recebe homenagens.

Fica a homenagem ao Grande e um dos mais completos artistas que o Brasil tem em seu berço.

Não à toa, Chico completa justamente no mês da Copa do Mundo no Brasil, o seu septuagésimo aniversário. Mesmo estando na França, terminando o seu mais novo romance a ser lançado ainda este ano pela Companhia das Letras, Chico deve estar radiante pela bola redondinha que rola aqui na Terra.

Parabéns, Chico!



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Resenha sobre o livro “Um jogo cada vez mais sujo” de Andrew Jennings

Fiz uma resenha sobre o novo livro do jornalista investigativo Andrew Jennings, “Um jogo cada vez mais sujo” lançado recentemente no Brasil pela editora Panda Books no Blog Ser Flamengo. O livro traz o prefácio do Deputado Romário, e revela os casos de corrupção na FIFA como manipulação na escolha das sedes da Copa do Mundo, venda de ingressos no mercado negro e até mesmo sobre a eleição da FIFA.

A resenha e todas as informações seguem abaixo:

Sobre “Um jogo cada vez mais sujo”, novo livro de @AAndrewJennings da editora @pandabooks http://t.co/qAn3QZmAS1 pic.twitter.com/CYti6hYIyP
— Tulio Rodrigues (@PoetaTulio) 9 junho 2014

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A favela de um modo particular e os equívocos

Poeta Tulio Rodrigues

Quando ainda estava concluindo o meu segundo grau, um professor de geografia nos trouxe o tema “Favelização”. Ele queria falar um pouco de como surgiram às favelas e de como as pessoas foram morar nelas. Um tema até interessante principalmente por trazer aos alunos o cotidiano de um lugar que tenho certeza muitos ali nunca pisou.
O professor exibiu o documentário “Santa Marta, duas semanas no morro” de Eduardo Coutinho. O documentário é de 1987 e é o que até hoje tem mais repercussão e o mais exibido dentro das favelas.
A diferença para o que nos mostrava o documentário e o que queria nos dizer o professor eram gritantes. O professor falava na “Favelização” de uma forma coletiva e generalizada enquanto o documentário nos mostrava uma particularidade de uma favela e de pessoas que lá viviam. Esse documentário de Coutinho não é ambíguo é particular. Ele não conta a história das favelas de um modo geral.
Por exemplo, as pessoas que chegaram à Favela Santa Marta naquela época diferem das pessoas que chegaram a Favela do Pinto, no Leblon e a Cidade de Deus, na Zona Oeste. Ou seja, foi um equivoco do meu professor usar esse documentário como norte do tema “Favelização”.
É claro que o documentário aborda diversos temas presentes em todas as favelas como religião, condição de moradia, sexualidade, a relação da polícia com os moradores, educação, racismo, preconceito, mas são histórias particulares e às vezes até contraditórias.
Há quem ache bom morar na favela, há quem ache ruim. É uma questão de opinião. No próprio documentário há esse tipo de visão. Isso numa época em que a condição econômica do país era ruim para as classes mais baixas. Nessa época seria difícil encontrar na casa de um morador da favela a mesma TV que tem na casa de um morador do Leblon. Hoje isso é possível. Recentemente, o Fantástico exibiu uma reportagem em que mostrava moradores de favela afirmando que não sairiam de forma alguma da favela. Claro que há dois lados dessa moeda. Afirmar de forma generalizada que os moradores da favela não querem sair de lá é incoerente. Há favelas que deve ser boas de morar, outras não. Pergunte a quem mora numa favela dominada pelo tráfico se ele quer ficar lá. Pergunte a quem mora num barraco sem um saneamento básico adequado se ele quer ficar lá. Será que os moradores do Complexo do Alemão estão diriam que não sairiam de lá?
Não entendo essa maneira de querer generalizar em tudo. Tanto o meu professor e o Fantástico se equivocaram assim como tantos equívocos que surgem por aí quando o assunto é favela.
Voltando ao documentário de Eduardo Coutinho, o “Santa Marta, duas semanas no morro”, fica claro que ele em nenhum momento quis dar respostas onipresentes sobre o morador da favela e nem sobre as favelas. Os próprios trabalhos posteriores de Eduardo Coutinho nos mostra essa particularidade. Poucos sãos os seus trabalhos que foram produzidos tendo como pano um plano geral sobre um determinado assunto. Fica aqui inclusive a minha sugestão de que vejam os documentários de Eduardo Coutinho que vem sendo para mim uma viagem interessante.

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Casagrande e seus demônios

Poeta Tulio Rodrigues
Gosto de histórias de superações! Pessoas que vencem obstáculos na vida têm mais a passar ao próximo. Confesso que nunca prestei a atenção devida em Casagrande. O acidente que o ex-jogador e hoje comentarista sofreu em 2007 me chamou a atenção pela tragédia e por ele ser vitima de dependência química.
O título da biografia de Casagrande me chamou a atenção: “Casagrande e seus demônios”. Rapidamente o livro se tornou o meu objeto de desejo. O livro foi escrito pelo próprio Casagrande em parceria do jornalista Gilvan Ribeiro. O livro não respeita uma ordem cronológica para contar a história do Casão, ele vai a cada capítulo remetendo-se a fatos importantes da sua vida. A biografia não é nem um pouco polêmico como o título parece e nem mesmo chapa branca. É uma biografia corajosa!
Os primeiros capítulos são sobre o fundo do poço que a droga empregou a Casagrande. Demônios a solta o perseguem pelo efeito ilusório das drogas. Ao ler, parece que aquele pesadelo não vai ter fim, porém, mais adiante há um pedido de ajuda. Ação crucial para o inicio da liberdade de Casagrande. Isso ocorre um pouco antes do acidente que podemos dizer que foi o divisor de águas em sua vida.
À revelia, Casagrande se internou. E como o livro mostra os primeiros meses recolhido, não foi fácil. Casagrande resistiu por algum tempo ao programa adotado pela clinica. Casagrande ficou quase oito meses sem poder receber a família, tinha que cumprir tarefas e demais regras. Saiu exatamente após um ano internado. Casão vem conseguindo superar a dependência química!
O livro também nos mostra detalhes da carreira de Casagrande. O início no Corinthians, a rápida ascensão para o sucesso ainda aos dezoito anos, sua rápida passagem pelo São Paulo, Flamengo e sua temporada jogando pela Europa. Há questões polêmicas como o doping a que teve que se submeter na Europa e as lesões que o fizeram abreviar a sua carreira de jogador profissional. A sua experiência pela Seleção Brasileira também é interessante principalmente pela sua relação com Telê Santana.
Aliás, o relacionamento de Casagrande com algumas personalidades do esporte é destacado. A relação com Sócrates. A profunda amizade ao distanciamento por causa do comportamento do amigo. A reaproximação anos depois antes da morte do Magrão. A conturbada relação com o ex goleiro Leão também merece um capítulo a parte. A personalidade de Leão contrasta com a de Casagrande. Duas personalidades fortes, mas ao invés de grandes polêmicas, o livro mostra situações até engraçadas. 
Para que eu não me estenda mais sobre o livro e diga logo a vocês para lê-lo, vale ressaltar o lado político de Casagrande. Uma das personagens principais da Democracia Corinthiana, Casagrande lutou ao lado de Sócrates pela democracia do Brasil ainda nos idos da ditadura. Foi fichado no DOPS. Participou como colaborador da fundação do PT e apoiou Lula.
O livro nos mostra um ser humano, um grande ser humano que e Walter Casagrande Junior. Pai, filho, marido, amigo, roqueiro, democrático, contestador, rebelde, anjo, demônio… Casagrande é múltiplo e acima de tudo admirável!!!

Título: Casagrande e seus demônios
Autor: Walter Casagrande e Gilvan Ribeiro
Gênero: Biografia e Memória
Páginas: 264
Formato: 16 cm x 23 cm
ISBN: 978-85-250-5380-0

Editora: Globo Livros

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Procurando saber – Sobre as biografias

Poeta Tulio Rodrigues
Estamos no meio de um embate cultural entre artistas, escritores, editores, biógrafos e jornalistas sobre a polêmica das biografias. Todos vêm emitindo suas opiniões em diversos veículos de comunicação. Porém, onde entra o leitor na discussão? Após ler diversas opiniões dos interessados, resolvi dar a minha opinião como leitor.
Uma biografia tem o papel de todo livro que é o dar a seu leitor o prazer da leitura e de informação. Essa é sua atividade fim! Não sei qual nome se dar quando você priva o leitor da informação. Biografias sobre pessoas que de alguma forma tem importância na história do país, na cultura, no esporte, na música e etc… é essencial para a sociedade. As histórias de diversos personagens históricos se entrelaçam com a do nosso país e ajudam a compreender a sociedade. Podemos incluir aí personagens principais que levantaram a discussão como Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Jorge Mautiner, que recentemente teve um documentário lançado que podemos chamar de uma biografia audiovisual.
Confesso que no início foi difícil entender o que realmente o “Procure saber” reivindica. Principalmente pelas opiniões dadas por seus membros. Querem direitos autorais? Censurar previamente? Discutir a questão? Tais questionamentos me levaram a deduzir que o “Procure saber” não criou lei alguma para garantir a censura prévia de biografias ou remuneração para o biografado e seus herdeiros. Por isso fiquei com a terceira questão que é discutir o direito a privacidade e a liberdade de expressão.
Agora para entender o que vem ocorrendo é simples. O Código Civil reza: 
“Art. 20 Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais.

Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.

Art. 21 A vida privada da pessoa natural é inviolável, e o juiz, a requerimento do interessado, adotará as providências necessárias para impedir ou fazer cessar ato contrário a esta norma.”
A ANEL (Associação Nacional dos Editores de Livros) entrou em 2012 com uma ação no STF contra os artigos que protegem os biografados. O processo corria em segredo até o “Procure saber” se posicionar sobre o assunto e Ancelmo Góis publicar em sua coluna no O Globo. A partir daí uma enxurrada de opiniões surgiram com os mais diversos posicionamentos. Alguns mais salutares e outros nem tanto.
A vida de Chico, Caetano, Gil, Roberto Carlos me interessam sim. Adoraria ler biografias sobre suas vidas, mas lhes garanto que não compro revista de fofoca para saber sobre a caminhada de Chico pela Orla da Lagoa ou algo parecido. Essa parte de suas vidas não me interessa, mas adoraria saber até onde a vida pessoal do Chico influi na sua obra bem como a de Caetano, Gil… Como adoraria poder encontrar nas prateleiras das livrarias a biografia de Noel Rosa escrita por João Máximo que foi proibida pelos familiares do compositor baseado nos artigos descritos acima e a de Roberto Carlos escrita por Paulo César Araújo também proibido de ser vendido. Biografias de outros grandes personagens não são feitas por causa dessa lei. Imagina um biógrafo dedicando anos de sua vida numa pesquisa profunda e intensa para quando o trabalho for lançado, ou antes, o biografado ou seu herdeiro simplesmente a proibir? É um risco que ninguém quer correr e quem perde é a cultura.
Já li diversas biografias não autorizadas e afirmo que seria frustrante, por exemplo, se o biografado ou seus herdeiros viessem a público desmentir o que li no livro. Por isso sou a favor das biografias, mas as de conteúdo sério e verdadeiro. Como leitor, busco qualidade nas minhas leituras. Mas a questão vai muito, muito, além disso.
É chegada a hora da Paula Lavigne vir a público e colocar de forma clara e objetiva qual bandeira o “Procure saber” levanta na questão. Nos espaços que deram a ela como no programa “Saia Justa”, da GNT, não a deixaram falar claramente sobre o que o grupo quer. O programa se tornou chato com os cortes de Barbara Gancia, colunista da Folha que exagerou em certos momentos em suas colocações como no seu texto (Gente hipócrita) sobre as biografias.
As nossas leis que constam na nossa Constituição são muitas vezes antiquadas e nada claras. Como um país democrático, devemos e vamos discutir de forma que o entendimento esteja ao alcance de todos. O direito a privacidade e a liberdade de expressão se encontram num ótimo momento para serem debatidos até o projeto de lei ser votado na Câmara. E até mesmo depois da votação! Entre mortos e feridos, que a cultura e o Brasil ganhem!
Para saber mais sobre a “Batalha das biografias”: http://oglobo.globo.com/infograficos/batalha-biografias/

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100 anos de Vinícius – O poeta da paixão

Se todos fossem iguais a você, Vinícius, talvez o mundo fosse melhor, as pessoas seriam mais felizes e a miséria seria preenchida pela felicidade. Felicidade tantas vezes retratada em suas canções, poesias, sonetos e sempre em contraste com a tristeza, melancolia. Ao mesmo tempo em que cantava que “É melhor ser alegre que ser triste”, cantava também que o “Amor só é bom se doer”.

Se todos fossem iguais a você, Vinícius, talvez o nosso país estaria menos politicamente correto, menos corrupto, menos mecânico. Você que sempre andou pelo inverso do politicamente correto, foi Vinícius, foi poeta, foi letrista e acima de tudo, foi a si mesmo. A imagem que passa pelas milhares de imagens espalhadas sobre você é que o Vinícius por trás das câmeras e do estrelato foi o mesmo diante delas.
Se todos fossem iguais a você, Vinícius, o que seria de nós ao tê-lo multiplicado milhares de vezes nas pessoas? Seríamos, nós, pessoas melhores? O mundo seria melhor? Conseguiríamos viver como poetas iguais a você viveu como bem afirmou Carlos Drummond de Andrade?
Se todos fossem iguais a você, Vinícius, o mundo viveria de paixão, teria mais amor, pois, afinal, você viveu caminhando pelos labirintos dessa vida com e pela paixão! Em busca dela! Por ela! E para ela! Admiro essa sua busca que foi eterna até o fim da sua vida. Concluo que você tenha errado por essa busca, tenha acertado por essa busca e o prazer da busca por esse encontro pode ter sido a sua grande recompensa! Afinal, o que faria Vinícius ao encontrar, enfim a paixão?
Se todos fossem iguais a você, Vinícius, a generosidade, longe de ser obrigação, seria uma virtude nas pessoas. Além de grande artista, foi mais do que um grande parceiro para seus parceiros, foi mais do que um grande amigo para seus amigos…
Se todos fossem iguais a você, Vinícius, talvez, teríamos mais capacidade de renovação, de renascer na mesma vida, de romper com a continuidade e nos recriarmos para o novo com a mesma qualidade do que foi criado antes. Impressionante como você se refez tantas vezes em si mesmo com uma capacidade peculiar que se estendeu profusamente em sua obra de maneira única a cada momento. Você foi samba, você foi bossa, foi afro, foi o branco mais preto do Brasil! Foi Vinícius! Plural no nome e sobrenome artístico: Vinícius de Moraes! Mas tão ímpar que é impossível que todos sejam iguais a você!
Vinícius, eu não tive o privilegio da contemporaneidade do seu tempo. Nasci quatro anos após a sua morte. Fato é que sua obra sempre esteve próxima de mim. Lembro-me de na infância ouvir a sua canção “A casa”, mas sem saber da importância de seus compositores. Muitos anos depois fui ao encontro da sua obra musical através de Chico Buarque. Ali descobri o poeta, o dramaturgo, o cronista… Tantos Vinícius! Isso é a prova do seu legado que perdura ao longo dos anos e que continuará sendo levado adiante por milhares de apaixonados pela sua vasta obra! Vinícius, você é eterno! Viva Vinícius!
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100 anos de Vinícius de Moraes

Blog Ser Flamengo
No próximo sábado, dia 19, Vinícius de Moraes completaria 100 anos se estivesse vivo. A data merece e vem sendo lembrada. Aqui mesmo no blog criei uma série (Vinícius 100 anos) com treze poesias dele declamadas por mim que venho postando mensalmente.
Posso afirmar que numa época da minha vida a obra de Vinícius foi minha companheira. Diante de minha solidão, a sua poesia e sua música me faziam companhia. Quanto já não criei tendo como inspiração Vinícius de Moraes?

Jamais ninguém cantou e versou o amor tão bem como Vinícius. A julgar pelo homem apaixonado pelas mulheres e pela vida, Vinícius nos brindou com lindos sonetos, poesias e canções históricas. “Para viver um grande amor”, “Poema aos olhos da amada”, “Soneto de separação”, “Soneto do amor total”, “Pela luz dos olhos teus”… São tantas e tantas!
Vinícius sempre camaleônico ia além do amor com poesias como “Pátria minha”, “Balada do mangue”, “A hora íntima”, “Poética I”, “Soneto de intimidade”… Criou a bossa nova, criou os “Afro-Sambas” com Baden e foi assim a vida toda, sempre se reiventando.
Pra mim Vinícius é tudo de perfeito na música e na poesia. Uma referência impar que influencia o que escrevo e a minha vida. O mundo seria mais vazio sem que Vinícius não tivesse passado por ele. Passou, fez história e se tornou imortal.
Que no dia 19 possamos ouvir bossa nova, “Afro-Sambas”, declamar poesias e sonetos de Vinícius em reverência ao que ele representa na nossa cultura popular. Que Ipanema amanheça resplandecente, que a Rua Vinícius de Moraes no bairro esteja mais iluminada e se eu bebesse, me embriagaria de Whiski, uma garrafa inteira nesse dia em memória de quem batizou a bebida como o “melhor amigo do homem”, o “cão engarrafado”.
Viva a obra de Vinícius! Viva o legado deixado por Vinícius! Viva Vinícius!

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Hora íntima
Quem pagará o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Quem, dentre amigos, tão amigo
Para estar no caixão comigo?
Quem, em meio ao funeral
Dirá de mim: — Nunca fez mal…
Quem, bêbado, chorará em voz alta
De não me ter trazido nada?
Quem virá despetalar pétalas
No meu túmulo de poeta?
Quem jogará timidamente
Na terra um grão de semente?
Quem elevará o olhar covarde
Até a estrela da tarde?
Quem me dirá palavras mágicas
Capazes de empalidecer o mármore?
Quem, oculta em véus escuros
Se crucificará nos muros?
Quem, macerada de desgosto
Sorrirá: — Rei morto, rei posto…
Quantas, debruçadas sobre o báratro
Sentirão as dores do parto?
Qual a que, branca de receio
Tocará o botão do seio?
Quem, louca, se jogará de bruços
A soluçar tantos soluços
Que há de despertar receios?
Quantos, os maxilares contraídos
O sangue a pulsar nas cicatrizes
Dirão: — Foi um doido amigo…
Quem, criança, olhando a terra
Ao ver movimentar-se um verme
Observará um ar de critério?
Quem, em circunstância oficial
Há de propor meu pedestal?
Quais os que, vindos da montanha
Terão circunspecção tamanha
Que eu hei de rir branco de cal?
Qual a que, o rosto sulcado de vento
Lançara um punhado de sal
Na minha cova de cimento?
Quem cantará canções de amigo
No dia do meu funeral?
Qual a que não estará presente
Por motivo circunstancial?
Quem cravará no seio duro
Uma lâmina enferrujada?
Quem, em seu verbo inconsútil
Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.
Qual o amigo que a sós consigo
Pensará: — Não há de ser nada…
Quem será a estranha figura
A um tronco de árvore encostada
Com um olhar frio e um ar de dúvida?
Quem se abraçará comigo
Que terá de ser arrancada?
Quem vai pagar o enterro e as flores
Se eu me morrer de amores?
Vinícius de Moraes
Rio, 1950
Texto extraído do livro “Vinicius de Moraes – Poesia Completa e Prosa”, Editora Nova Aguilar – Rio, 1998, página 455.
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Cadê os poetas?

Poeta Tulio Rodrigues
Foto retirada do Blog do B Silva
Um dia desses minha mãe me mostrou uma matéria do Jornal O Globo com uma matéria sobre cinco poetas. O título da matéria: “Cinco poetas da nova geração falam da boa fase do gênero no país“. Nada mais perfeito até constatar que a boa fase a que se refere a matéria não era em si sobre o sucesso da poesia, mas sim sobre o sucesso editorial desses poetas no mercado.
Era a segunda vez no ano que a poesia ganhava destaque da grande mídia nacional pelo destaque no mercado. Antes disso, o sucesso do livro “Toda poesia” de Leminski bateu recorde dos livros mais vendidos por semanas e até falei sobre isso aqui no blog (Leminski, a poesia nas alturas). Ver a poesia sendo destaque em qualquer lugar sempre me emociona.
Voltando a falar da matéria dos poetas Angélica Freitas, Fabrício Corsaletti, Alice Sant’Anna, Leonardo Gandolfi e Ana Martins Marques é claro e nítido que o que fez os poetas ganharem destaque foi o sucesso editorial que estão fazendo. Estão vendendo livros, vendendo poesia. Mas e os poetas que não tem a oportunidade de editar um livro? É difícil ou quase impossível encontrar editoras que apostem na poesia. A não ser quem aposte na publicação independente. Eu mesmo me enveredei nessa modalidade. Tirei dinheiro do meu próprio bolso e em 2009 editei o meu primeiro livro solo, o “Ensaio poético” e em 2010, o “Versos imaturos”. Claro que sem o aporte de uma editora para divulgação e venda não fui nem um sucesso editorial e nem tive destaque na mídia. Outros amigos poetas também o fizeram.
Uma maneira que ajuda a divulgar os poetas hoje em dia são as antologias. Há diversas formas de participar delas. É só investir um dinheiro num número de páginas que você terá a sua poesia rodando o Brasil e até alguns outros países. Mas pela pouca divulgação, ainda vejo que é muito pouco. Por isso admiro os agitadores culturais que conheço que organizam antologias, sarais e encontros literários por aí.
A poesia parece hoje até um gênero descriminado e já na minha época de colégio foi raro tê-la em minhas lições, fico imaginando hoje. Outro ponto interessante é que com a popularização da internet, a poesia voltou a ter destaque pelo menos na grande rede. Através do Orkut, Rede Social que fez muito sucesso por aqui, muitos poetas puderam se reunir e interagir nas comunidades. Eu mesmo conheci e participei de muitas delas. Posso dizer que há muitos poetas de qualidade espalhado pelo Brasil e que você pode encontrar em blogs e em grupos no Facebook.
Ocorre é que não há espaço para os poetas no mercado editorial, na mídia, nas escolas… Os poetas hoje junto com a poesia parecem coisas extintas. O que nos leva a dizer que parece que a poesia morreu com Drummond, Vinícius de Moraes… Porém, ainda há vivos poetas como Ferreira Gullar, Adélia Prado… E com eles toda arte poética parece parar ali, não há extensões, legados deixados, o que não é verdade. A poesia vive ainda e o legado deixado por esses grandes poetas vem sendo muito bem usada e usufruída por outros grandes poetas.
Mesmo esquecidos, nós, poetas estamos aqui fazendo cada um a sua parte para que a poesia se mantenha viva e encantando corações e almas por aí.