Soneto: O bastardo

Poeta Tulio Rodrigues
Ilustração de Jana Magalhães

A dor do filho meu eu sinto agora,
ao relembrar a dor do meu rebento…
O mundo assim disperso e nunca atento
faz-me sentir a mesma dor de outrora…

Ramo de flor, tu foste só o invento
com que minha inocência foi embora
desejando até tudo morto a fora
porque vivo só resta se for vento… 

Não dei pai nem família a este filho
que pelo mundo está, talvez, perdido
sem Deus, sem rumo, a caminhar sem trilho…

Filho meu, neste mundo retardado…
Filho meu – por mim nunca protegido…
Filho meu – tão querido… E tão bastardo…

Publicado em meu primeiro livro, o “Ensaio poético”, editado em 2009.
Twitter: @PoetaTulio

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